A navegação no rio, a pesca e a construção de barcos foram actividades importantes no desenvolvimento e fixação das populações nas terras ribeirinhas, de tal forma importantes que foram incentivadas no sentido de se construírem embarcações maiores e mais seguras que pudessem mesmo servir para fins militares.
No estuário do Tejo, Lisboa, como principal centro populacional, carecia diariamente de abastecimento de peixe, carne e de produtos hortícolas frescos. O rio proporcionava o seu fácil escoamento.
As terras banhadas pelos braços do Tejo atraíam a nobreza da época, que ali estabeleceu explorações agrícolas e, construíram-se moinhos de marés e pequenos postos. Também as ordens religiosas o fizeram, com o fim de abastecer os conventos de Lisboa. Era ainda importante a actividade salineira, especialmente na margem norte, para além de transporte de pessoas entre as duas margens e para o montante.
Gerações de mareantes, pescadores e construtores de barcos vieram do rio, mas também para ele. Os barcos não foram apenas construídos com o fim único de os explorar, mas como instrumentos de prazer, objectos lúdicos que orgulhavam proprietários e tripulantes.
Navegar no rio era ainda uma arte, tirar maior partido dos ventos das correntes e das marés. Era um saber que se transmitia de pais para filhos. Quando a tecnologia veio substituir a vela pelo motor e a madeira pelo ferro, as primeiras vítimas foram as embarcações tradicionais. As de pesca já totalmente desaparecida, as de carga, desde a década de 60, a apodrecer encalhadas junto às praias da “outra banda”. O Tejo foi a vítima final, empobrecido, descaracterizado, agonizante.
